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Comentário 1.1: Toda humanidade é condenável perante Deus.

 

  1. Toda a humanidade é condenável perante Deus 

 

Todos os homens pecaram em Adão, estão debaixo da maldição de Deus e são condenados à morte eterna. Por isso, Deus não teria feito injustiça a ninguém se Ele tivesse resolvido deixar toda a raça humana no pecado e sob a maldição e condená-la por causa do seu pecado, de acordo com estas palavras do apóstolo: “ [...] para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus [...], pois todos pecaram e carecem da glória de Deus [...]” (Rm. 3.19,23), e: “[...] O salário do pecado é a morte [...]” (Rm. 6.23).  

 

Prestem atenção: Os Cânones de Dordt não começam falando teologicamente sobre o conselho eterno de Deus e sobre a decisão da predestinação, mas eles começam onde a Bíblia começa: a criação e queda de Adão.  

A queda de Adão é observada na luz de Rm. 5, 12: “Assim, como por um só homem entrou o pecado no  mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.”. Note bem: os Cânones dizem que “todos os homens pecaram em Adão”, e por causa disso estão em baixo da maldição de Deus e são condenados à morte eterna. Porém, o apóstolo Paulo não disse ali que todos pecaram em Adão, mas simplesmente disse que Adão pecou, e assim entrou a morte no mundo; e a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram ativamente. Somos todos pecadores, igual a Adão!  

O Cânon 1,1 cava mais profundamente e se refere ao pecado original. (Veja o Catecismo de Heidelberg, p/r 7!).  O profeta Davi, no Salmo 51, deixa bem claro que as crianças são concebidas e nascidas em pecado; e o penhor do pecado é a morte.  

Pelágio defendeu que o  penhor do pecado é a morte física; o homem vai morrer, mas ele ainda tem a possibilidade, por meio do livre arbítrio e das boas obras, de se salvar. O bispo Agostinho não concordou com isso e lutou contra Pelágio. A palavra de Deus não ensina essas coisas: a maldição de Deus incluiu a morte fisica e a morte eterna. Por causa disso precisamos de um Salvador, que salvará a nossa vida pela sua justiça e nos dará a vida eterna. Veja Rm. 5, 21! 

“Deus não teria feito injustiça”. Uma das questões era a justiça de Deus. Havia críticas a respeito do domingo 4 do Catecismo de Heidelberg, que pergunta: “Então, Deus exige do homem, em sua lei, o que este não pode cumprir. Isso não é injusto?” Os pré-arminianos disseram: Sim, Deus é injusto se for assim. E os atuais arminianos concordam com isso, porque defendem que o homem pode, sim, cumprir a lei de Deus! 

Rm. 3, 19-20 deixa bem claro que todo mundo é culpável perante Deus e ninguém será justificado diante dele por obras da lei, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. E todos serão justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé (Confira Rm. 3,24)! 

Deus faz isso “para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos, tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm. 3, 25-26)! 

Deus não teria feito injustiça a ninguém! A questão da justiça será tratada novamente na carta aos Romanos, no Capítulo 9, 19ev, onde Paulo fala sobre a Soberania de Deus. Deus é como o oleiro que tem o direito sobre a massa.  

Deus quer manifestar a sua justiça graciosa àqueles que tem fé em Jesus. Por causa disso, Ele enviou o Filho (João 3, 16) e mandou pregar o Evangelho até aos confins da terra; veja os Cânones 1.2 e 1.3 etc. A pregação tem um efeito duplo! Vejo Atos 16,14! E a questão é: isso depende do homem ou de Deus? 

Veremos nos próximos estudos!